O objetivo deste trabalho é apresentar o modelo de entrevista inicial desenvolvido na Prontamente Clínica da Família como parte do processo de acolhimento da clientela que nos procura.

A complexidade que ganharam as ci√™ncias da sa√ļde, com a diversifica√ß√£o dos focos de forma√ß√£o profissional em diversas especialidades torna, por vezes, dif√≠cil a vida da clientela que acorre a profissionais e servi√ßos. Uma das principais ang√ļstias de quem busca um servi√ßo de sa√ļde √© definir o seu problema. Paradoxalmente, o crescente processo de especializa√ß√£o de profissionais e servi√ßos exige uma precis√£o na compreens√£o do problema por parte de quem sofre para poder bem escolher a especialidade a ser consultada. As pessoas precisam saber muito para bem escolher o profissional, enquanto que uma demanda por atendimento √© motivada, muitas vezes, pelo desejo de saber o que causa o sofrimento.

A Prontamente Cl√≠nica da Fam√≠lia passou a desenvolver um modelo sistem√°tico e organizado de acolhimento. Os atendimentos s√£o realizados por uma equipe especialmente capacitada para uma avalia√ß√£o inicial, de car√°ter geral, com o intuito de identificar as principais demandas e indicar os recursos, profissionais e servi√ßos mais adequados. As pessoas ou fam√≠lias que buscam atendimento junto √† Cl√≠nica podem solicitar agendamento com um(a) profissional de sua prefer√™ncia, mas, se n√£o for este o caso, s√£o estimuladas a participar de um primeiro atendimento com profissional do Programa de Acolhimento. Neste servi√ßo, ap√≥s a escuta das demandas iniciais da pessoa ou da fam√≠lia, um elenco de possibilidades e profissionais s√£o apresentados, buscando construir, em consenso com a clientela, as melhores indica√ß√Ķes de seguimento para os atendimentos, considerando as especificidades relacionadas aos problemas enfrentados, possibilidades financeiras, disponibilidades de hor√°rio, habilidades das e dos terapeutas da equipe, al√©m de outros elementos levantados no processo de avalia√ß√£o.

Esse modelo prioriza a qualidade do primeiro atendimento, integrando aspectos como identifica√ß√£o do(s) problema(s) principal(is), elementos de psicopatologia descritiva, avalia√ß√£o do funcionamento e estrutura familiar e da inser√ß√£o nas redes sociais, hist√≥ria de tentativas anteriores para lidar com o problema, mapeamento das pessoas mais pr√≥ximas ou mais envolvidas na situa√ß√£o problema e identifica√ß√£o dos principais recursos e dificuldades para trabalhar na solu√ß√£o dos problemas. Este mapa √© constru√≠do em conjunto entre terapeuta e fam√≠lia ou paciente, podendo ser necess√°rio mais de um encontro. Al√©m do modelo proposto, ser√° poss√≠vel apresentar alguns dados de avalia√ß√£o do projeto, como n√ļmero de atendimentos realizados, encaminhamentos realizados, taxa de ades√£o da clientela aos encaminhamentos feitos e seguimento ap√≥s 60 dias.

A pesquisa com fam√≠lias e comunidades, implica√ß√Ķes e contribui√ß√Ķes para o desenvolvimento de teorias e pr√°ticas, interven√ß√Ķes e pol√≠ticas p√ļblicas.

Letícia Graziela Costa

Psicóloga, aluna do Programa de Formação em Terapia Sistêmica da Prontamente Clínica da Família, membro da equipe do Acolhimento
leticiagrazi@hotmail.com

Rogério Lessa Horta

Médico, Psiquiatra, Terapeuta de Famílias, Doutorando em Psicologia pela PUCRS, professor da Unisinos/RS e Coordenador do Programa de Acolhimento da Prontamente Clínica da Família
rogeriohorta@prontamente.com.br

Viviane Samoel Rodrigues

Psic√≥loga do programa Acolhimento da Prontamente Cl√≠nica da Fam√≠lia. Aluna do Curso de Especializa√ß√£o em Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais (UNISINOS). Pesquisadora do Centro de Estudos em √Ālcool e Drogas (CPAD) do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
vivirodrigues@brturbo.com.br