RESUMO

A proposta deste texto é focar a figura do abusador . Antes, porém, um breve histórico evidencia perspectivas na forma de trabalhar com violência familiar e as mudanças ocorridas, nestes 18 anos, em que venho me dedicando a esta área.

J√° n√£o interpretamos ser o comportamento sedutor da crian√ßa o que induz ao abuso. Tamb√©m, j√° n√£o nos posicionamos contra a m√£e da crian√ßa que foi abusada, responsabilizando-a pelo abuso, como c√ļmplice.

Estamos, aos poucos, voltando nosso interesse à pessoa do abusador. O afastamento deste não resolve o problema, pois uma vez protegidas as crianças daquela família com a qual trabalhamos, a violência segue com outras vítimas. Percebemos, portanto, ser necessário para quebrar o ciclo do abuso sexual, trabalhar com a pessoa que o exerce.
O desejo recente dos profissionais em aproximar-se do abusador exp√Ķe a realidade de n√£o saber como faz√™-lo. Tentativas e erros, que s√£o apresentadas neste texto, sugerem quest√Ķes que tem se revelado mais produtivas.

O tratamento atual não é baseado no insight, já que o trabalho exige constante colocação de limites e de confrontação e não é baseado na confiança. O maior desafio imposto aos profissionais dispostos a trabalhar com violência familiar é o de se posicionar contra a violência e não contra a pessoa que a exerce.

Marli Kath Sattler
Psicóloga, Psicoterapeuta Individual, Casal e Família, Mestre em Psicologia Clínica, Coordenação do DOMUS РCentro de Terapia de Casal e Família, Coordenadora do Grupo de Estudo e Atendimento a Violência Familiar
Porto Alegre, RS