Resumo:

Esse trabalho surgiu a partir dos atendimentos realizados com a família Silva, durante o segundo ano do Curso de Formação em Terapia Familiar Sistêmica. No processo de construção do genograma familiar, chamou-nos atenção as heranças que atravessavam as gerações.
Pesquisando sobre esse tema, nos deparamos com o termo: Transgeracionalidade, que optamos definir “ como aquele representativo dos processos que são transmitidos pela família de uma geração a outra e se mantém presentes ao longo da história familiar.” Wagner A. & Falke D.(2005, pg26). Procurando ampliar a compreensão do tema, como Química e Psicóloga, pareceu-nos interessante estabelecer um paralelo entre essas duas áreas do saber.

Na Química, buscamos explicações para as reações estudando mecanismos de reação, que seriam rotas a serem seguidas, baseadas nas afinidades entre os elementos, íons e moléculas, conforme um padrão pré-estabelecido. Essas reações, ocorrendo em sistemas fechados, tendem a se manter em equilíbrio. Quando algum fator externo (temperatura, pressão, mudança nas concentrações) interfere no mesmo, ocorre um deslocamento desse equilíbrio, provocando um movimento na direção de se opor ao fator que foi aplicado – Princípio da fuga ante a força -. O sistema precisa buscar, então, um novo equilíbrio, ajustando-se as modificações das variáveis que lhe foram impostas. (Feltre, 2005)

Na Psicologia, as famílias têm seus “mecanismos de reação” que podem ser evidenciados pelos comportamentos repetitivos observados ao longo das gerações. Cada família constrói um padrão que, mesmo sem haver intencionalidade e consciência, rege o comportamento de seus componentes. Observamos também que, quando algum fator ameaça interferir nesse padrão, o sistema tende a buscar a homeostase, opondo-se às mudanças, reagindo contra as mesmas. Segundo Cerveny (2000), homeostase é um processo auto-regulador que mantém a estabilidade no sistema protegendo-o de desvios e mudanças.

Acreditamos que identificando o que foi realmente “herdado”, compreendendo a história construída ao longo das gerações e identificando o que se quer fazer diferente, é possível construir uma nova forma de lidar com algumas situações, procurando viver melhor.

Palavras-chave: Transgeracionalidade, mecanismo de reação, homeostase.

Heloisa Helena Haag Martins
CEFI – Centro de Estudos da Família e do Indivíduo – POA – RS

Referências:
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